terça-feira, 16 de junho de 2009

Lembranças do Prestes Maia: Edicena


Edicena é mineira de Montes Claros. Veio a São Paulo atraída por um programa popular de TV que oferecia teste de DNA gratuito. Mãe de três adolescentes chegou sozinha e com apenas trinta reais no bolso. O sonho de comprovar a paternidade de dois de seus filhos nunca se concretizou.

Antes de ocupar o pequeno barraco no terceiro andar do bloco B no edifício Prestes Maia, Edicena já havia passado pelas ruas e albergues paulistanos. No edifício encontrou seu Renê, ambulante que vendia marmitex na Rua 25 de Março, região central de São Paulo, e estavam noivos há um ano.

A mineira com então 39 anos sofria com a Doença de Chagas e não trabalhava; seu Renê e suas marmitas davam conta das despesas.

Conhecemos Edicena ainda no Prestes Maia, mas a entrevista somente aconteceu após a desocupação do edifício. Fomos a sua casa nova: um apartamento pequeno, recém construído pela Prefeitura lá pelas bandas de Itaquera, zona leste da cidade. Lá também estavam alguns de seus antigos vizinhos.

A ex-moradora da maior ocupação da América Latina estava feliz com seu apartamento térreo, adaptado para deficientes físicos. Mas a distância entre o centro da cidade e a nova casa era um problema para os negócios de seu Renê.

Um ano depois da entrevista recebi uma ligação de Edicena, convidando a mim e a equipe para seu casamento com seu Renê.


Foto: Ricardo Tacioli

Dona Edicena ainda no edifício Prestes Maia


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