domingo, 14 de junho de 2009

Nasi




Ontem foi a esperada entrevista do Gafieiras com o Nasi. Como de costume, marcamos um ponto de encontro para reunir a equipe e de lá seguimos rumo ao Butantã, bairro onde mora o cantor.

A princípio nenhum mistério com o roteiro: estivemos na região há pouco menos de três semanas para entrevistar o Luiz Tatit. O mapinha na bolsa, pra garantir o sucesso da empreitada, não foi suficiente.

Sorte nossa o cinegrafista ter morado por aquelas bandas: chegamos quinze minutos antes do horário marcado, porém quinze minutos atrasados para armar o circo e conferir o equipamento.

Nasi mora sozinho, mas divide a casa de três andares com a gata Sofia; é boa vizinhança; estuda o candomblé pelas veias da sociologia e fotografia; não ouve rock em casa.

Recebeu a equipe no térreo onde ficam os discos e os livros. Ele já estava preparado pra conversa que durou quatro horas: um maço de cigarros, uma garrafa de vinho branco no balde com gelo sobre a mesa de centro e uma cadeira de madeira onde ficou sentado. Sem os trajes típicos de roqueiro, Nasi exibiu colares africanos por baixo da camisa aberta, vestia bermuda e chinelos.

Monitorado por um aparelho que de tempos em tempos registrava sua pressão arterial, Nasi revelou que estava no meio de um check-up sugerido por uma vizinha. Essa é a segunda vez na vida que ele se submete a exames gerais.

Falou sobre sua infância e sua família, sobre o Bixiga – bairro onde nasceu -, sua relação com a música, bandas de rock surgidas nos anos 1980, candomblé, Scandurra e o Ira!.

Cínico ou cênico, como ele mesmo se descreveu, em diversos momentos mandou recados olhando para câmera e rindo em seguida. Usou metáforas pra dizer o que não soube descrever ou pra não dizer com as palavras que queria.

Riu bastante. Fumou bastante. Fez uma única pausa para substituir a garrafa vazia, dessa vez por vinho tinto.

A entrevista na íntegra poderá ser conferida em breve no Gafieiras.



[*] Publicado originalmente em Outras Fontes em 28 de maio de 2009.


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